terça-feira, 14 de novembro de 2017

João Doria afirma que até o final do ano a Câmara de São Paulo terá aprovado 100% das privatizações do seu programa



O prefeito João Doria afirmou que "não é fácil convencer a Câmara Municipal de São Paulo, colocar em votação e aprovar" o seu programa de privatizações, mas garantiu que "com certeza" até o final deste ano estará aprovada "100%" a venda do Complexo do Anhembi, do Autódromo de Interlagos e o restante do pacotão apresentado como promessa de campanha. "Mas, escute, registre, nós vamos vender, nós não vamos fazer concessão. Vender!", fez questão de frisar. Assista.

"É um enfrentamento diário", garantiu. "É um enfrentamento na Câmara, é um enfrentamento de promotoria, Tribunal de Justiça. Mas se alguém pensa que eu desisto diante de alguma dificuldade, está enganado. Coloque mais dificuldade que aumenta a minha vontade." 

O #ProgramaDiferente acompanhou nesta segunda-feira, 13 de novembro, em São Paulo, o 4° Fórum Liberdade e Democracia, que contou com a participação do prefeito João Dória e dos presidentes das filiais brasileiras de megaempresas globais como o Google, o Santander e a Amazon. O tema foi "A Era da Disrupção", ou seja, de inovações que rompem paradigmas e de como estas iniciativas podem melhorar a vida das pessoas e readequar a relação dos cidadãos com seus governos.

De caráter "ultraliberal", como anunciam seus organizadores, o Instituto de Formação de Líderes (IFL) é composto basicamente por jovens de 20 a 35 anos, entre empreendedores, fundadores de empresas de tecnologia, políticos e entusiastas do liberalismo, que buscam caminhos "para uma sociedade mais próspera, democrática e livre". Veja mais aqui.

Mas a estrela do evento foi mesmo o prefeito João Doria, presidenciável de dez entre dez participantes, que recebeu uma premiação do IFL (veja aqui) e retribuiu com uma palestra incensando o neoliberalismo, valorizando as suas próprias realizações e anunciando as privatizações na cidade como carro-chefe destes 10 meses de gestão. Falou como candidato, chamou Lula de sem-vergonha e Sergio Moro de herói. Assista aqui a íntegra da palestra.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Acelera, João Doria! Aprovada em 1ª votação a venda do Autódromo de Interlagos, como determinou o prefeito na semana do GP Brasil



Como ordenou o prefeito, foi aprovada em 1ª votação, por 39 dos 55 vereadores, a venda do Autódromo de Interlagos na Câmara Municipal de São Paulo. Então já pode tocar o tema da vitória do Ayrton Senna. Acelera, João Doria!

O presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), afirmou que serão realizadas audiências públicas antes da segunda e definitiva votação. O Projeto de Lei é polêmico e vem causando atritos na base governista. A determinação do Executivo era ter a aprovação para servir como "vitrine" aos possíveis investidores que estarão presentes em Interlagos neste fim-de-semana do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Agora vai!

João Doria e Huck: dois presidenciáveis vitaminados

Se você ouvir falar em "complexo de João Doria" não se espante: não se trata de nenhuma teoria psicanalítica daquelas criadas por Freud e inspiradas nas tragédias gregas, mas de uma criação do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma. Um complexo vitamínico inspirado no amigo, prefeito de São Paulo e presidenciável João Doria: o kit "Doriavit".

É mais uma injeção de ânimo nas pretensões eleitorais de Doria para 2018: Sidney Oliveira já havia bancado patrocínio internacional da marca "Cidade Linda" nos jogos da Seleção de Tite.

Agora associa uma nova linha de produtos da sua rede de farmácias ao ritmo empregado pelo prefeito para se mostrar um gestor infalível e trabalhador incansável. O que começou como brincadeira virou coisa séria e está à venda em três versões: "vitality", "energy" e "memory".

Vereadores, secretários municipais e auxiliares do prefeito vem recebendo como brinde os produtos que nas farmácias custam entre R$ 44,95 e R$ 64,95 - como inspiração para "aguentar o tranco".

O mimo que circula entre os apoiadores de João Doria é o kit completo, que vem numa embalagem de luxo, daquelas que lembram bombons importados. Alô tucanos e meninos do MBL: o kit também pode ser comprado na Ultrafarma por R$ 164,00.

Outra associação bem-humorada é inevitável: além do "vitaminado" João Doria, outro presidenciável tem coincidentemente o seu nome associado a propagandas de complexos vitamínicos.

O apresentador Luciano Huck, novo queridinho de quem busca um Salvador da Pátria para 2018, é garoto-propaganda da marca Centrum.

Porém, veja só, Huck vale mais que Doria: um frasco com 60 cápsulas da sua vitamina sai hoje, na própria Ultrafarma, por R$ 92,68. E a procura - dizem os vendedores - tem sido bem maior. :-)


Veja também:

#ProgramaDiferente: Luciano Huck presidente do Brasil?

Um ano do prefeito e presidenciável João Doria no #ProgramaDiferente

Exclusivo: Prefeito João Doria fala abertamente como candidato a Presidente da República em 2018 no #ProgramaDiferente

Trator governista acelera e atropela a própria base






 Trator do prefeito João Doria acelerou tanto nesta terça-feira que deixou pelo menos dois vereadores da própria base atropelados no meio do caminho...

Primeiro foi Mario Covas Neto, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que argumentou em vão que o projeto de privatização do Autódromo de Interlagos deveria passar pela CCJ antes de ir a votos no plenário.

Não adiantou. O governo acelerou e tratorou o aliado. Depois, já no Congresso de Comissões presidido pelo decano Vereador Toninho Paiva, foi a vez de José Police Neto ser atropelado pelo vice-líder do governo Vereador Dalton Silvano e protagonizar um bate-boca histórico na Câmara Municipal de São Paulo.

Tudo porque, segundo ele, queria contribuir com o texto do PL (reconhecidamente ruim pela própria Liderança do Governo). Tá fácil?

Assista.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Vereadores de São Paulo caminham na contramão da transparência ao esconder os salários de assessores e servidores municipais

Pegou mal, hein, senhores vereadores: toda a imprensa falando que a Câmara Municipal de São Paulo "esconde os salários de servidores em site oficial".

Enquanto a sociedade cobra mais ética e transparência, o Legislativo paulistano apaga os nomes de seus funcionários da lista com salários divulgada em sua página oficial da internet.

Numa decisão pra lá de questionável, a Mesa Diretora da Câmara decidiu simplesmente omitir os nomes dos servidores na página dos "salários abertos", uma conquista inegável de controle social, cidadania e democracia, que vinha funcionando bem há anos.

Agora só aparece a numeração da matrícula de cada servidor ao lado dos vencimentos, praticamente impossibilitando ligar os valores mensais à identidade dos funcionários, a não ser que se faça um trabalho de investigação através das publicações do Diário Oficial.

A medida vai na contramão da Lei de Acesso à Informação e também de órgãos públicos de outras esferas, como a própria Prefeitura e o Governo do Estado, que divulgam dados detalhados.

Por outro lado, segue o contestado modelo adotado pela Assembleia Legislativa de São Paulo – que só divulga a matrícula ao lado dos salários, num retrocesso inimaginável a essa altura em que a população se torna tão mais participativa com os dados disponíveis nas redes.

A assessoria de imprensa da Câmara afirmou que a mudança foi decidida "após pedido do sindicato dos funcionários municipais da Casa e análise jurídica do caso".

A decisão atende, portanto, à solicitação do Sindlex (o sindicato dos servidores da Câmara e do Tribunal de Contas do Município), que alega estar preocupado com a segurança dos funcionários. Uhum!

Obrigado, senhores vereadores, a cada ato (ou omissão) está mais justificada a necessidade de existirem trabalhos como estes do Câmara Man, para trazer informações que vocês insistem em esconder e para abrir definitivamente  a caixa-preta da política brasileira.

Câmara acelera votação da privatização de Interlagos para pegar o vácuo do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, neste domingo

Em meio à polêmica sobre os planos eleitorais do prefeito João Doria, embora siga negando publicamente ser candidato (e curiosamente tenha participado do programa Canal Livre, da Band, neste domingo, exclusivo para os presidenciáveis), ele deu à Câmara Municipal de São Paulo as diretrizes do governo: acelerar o pacote de privatizações, dando especial atenção agora ao Complexo do Anhembi, em 2ª e definitiva votação, e ao Autódromo de Interlagos, em 1ª votação. Tudo para reforçar o caixa (e o relatório de realizações) para 2018.

O argumento para votação do PL 705/2017, do Executivo, que dispõe sobre a alienação do imóvel denominado “Complexo Interlagos”, no âmbito do Plano Municipal de Desestatização, é realmente o mais inusitado: aproveitar a realização do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, neste fim-de-semana, para "colocar na vitrine o projeto de comercialização de Interlagos", nas palavras do presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM).

Também parece constrangedora a defesa dessa aceleração da privatização de Interlagos pelos vereadores da base, sendo que eles própríos - e assim se manifestaram, por exemplo, Police Neto (PSD), Adriana Ramalho (líder do PSDB) e o próprio Milton Leite - reconhecem que o texto apresentado é ruim, com pouquíssimos esclarecimentos à sociedade, inclusive com a omissão dos valores e condições do negócio, e com a ausência das audiências públicas necessárias.

Ainda assim, a estratégia dos vereadores governistas é tentar atropelar a Comissão de Constituição e Justiça e pautar o projeto diretamente no chamado "Congresso de Comissões", para votá-lo em regime de urgência, sem o trâmite normal nas comissões internas (e sem passar ao menos pela CCJ, o que sempre foi praxe e tem causado indisposições com o seu presidente, vereador Mario Covas Neto, do mesmo PSDB do prefeito, até na Justiça).

De resto, a intenção é votar também os projetos de vereadores que estão travados na pauta há semanas. O clima segue quente com a chegada do vice-prefeito Bruno Covas como novo articulador do governo com o Legislativo, no lugar do secretário de governo Julio Semeghini, defenestrado da função a pedido dos parlamentares da base - que apresentaram a fatura pela aprovação do "X-Tudo" do prefeito. Mais uma semana que promete, antes do próximo feriadão.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Após negociação com bancada evangélica, Câmara aprova projeto "X-Tudo" do prefeito João Doria com emenda que beneficia igrejas

Se não bastasse a salada de alterações tributárias e vantagens seletivas que já estavam embutidas no chamado "X-Tudo" do prefeito João Doria, mais uma negociação de última hora com a bancada evangélica foi feita para destravar a pauta e garantir a aprovação do substitutivo do governo ao Projeto de Lei 555/2015 por uma margem pequena de votos: foram 31 favoráveis (o mínimo necessário eram 28, mas a base costuma ter mais de 40), 12 contrários e duas abstenções.

Com a aprovação da lei, que irá à sanção do prefeito, serviços que antes não recolhiam ISS (Imposto sobre Serviços) passam a pagar a taxa. Um exemplo é o chamado streaming, a disponibilização de conteúdos na internet feita por empresas como a Netflix. Por outro lado, uma emenda concede às igrejas isenção de todas as taxas cobradas pela Prefeitura, incluindo as de emissão de alvarás e de fiscalização de estabelecimentos.

É mais uma vitória da bancada evangélica, que já tem uma série de privilégios na legislação (municipal, estadual e federal) e recentemente aprovou anistia até mesmo de multas do PSIU (a lei do silêncio). A negociação ficou muito clara no voto dos vereadores ligados a igrejas e na mudança, por exemplo, do encaminhamento do vereador Eduardo Tuma (PSDB), vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, que na semana passada estava contrário ao projeto e nesta terça-feira, 31 de outubro, mudou de opinião.

No pacotão aprovado, os vereadores também autorizaram o Executivo a captar R$ 1,2 bilhão no mercado financeiro com o objetivo de incrementar programas de recapeamento, transporte público, saúde e educação, todas vitrines da gestão do prefeito João Doria em ano eleitoral. Leia mais.